Realizações‎ > ‎2016‎ > ‎

Rodapé Cultural


AMORES DE CRISTAL EXCITANTES E FRÁGEIS

Publicado a 05/05/2016, 01:47 por CCAM   [ atualizado a 05/05/2016, 01:48 ]

[O amor só paixão, só atracção física, só desejo intenso, só sentimento emotivo, é tão passageiro, quanto o são esses fundamentos. Consumido tal combustível, pouco duradouro, a chama-se extingue-se, a paixão arrefece e o “amor” acabou. É hora – como dizem os brasileiros - de partir para outra.

É esta forma de entender o amor que leva muitos jovens casais a optarem pelas chamadas uniões de facto ou pelos namoros de casa e pucarinho, preferindo tais situações ao casamento que sempre é um compromisso jurídico e/ou sacramental que não se desfaz por “dá-cá-aquela-palha”. É que, apagada a fogueira do desejo/paixão ou surgidas outras atracções mais absorventes que a anterior já satisfeita, é mais fácil aos unidos de facto e aos tais namorados de casa e pucarinho “partirem para outra”]

SAIS DE PRATA

Publicado a 28/04/2016, 15:11 por CCAM   [ atualizado a 28/04/2016, 15:11 ]



(…) Em Portugal, a fotografia é anunciada pela primeira vez no ano de 1839, nas revistas O Panorama, em Lisboa e na Revista Littteraria, no Porto. Nesse mesmo ano um navio a vapor com destino ao Rio de Janeiro faz escala em Lisboa e por lá fica atracado durante oito dias. A bordo segue Comte, um dos pioneiros da daguerreotipia. Durante a sua estadia em Lisboa, este acompanha o Comandante do navio a uma audiência com D. Maria e faz-lhe uma demonstração da nova invenção (…) 
(…) Viana do Castelo e o Alto Minho, na segunda metade do séc. XIX e início do séc. XX, devido à sua história, arquitetura e património, era rota obrigatória de fotógrafos nacionais. Destes destacam-se as fotografias da Igreja de S. Domingos (1860?), a do Largo Agonia (1860?) e a da Praça da Rainha (1860?), que faziam parte de um Álbum de Fotografia de Anthero Frederico de Seabra que foi oferecido a D. Luis I e D. Maria Pia numa das viagens ao Alto Minho. Carlos Relvas numa das suas muitas viagens fotográficas esteve em Viana do Castelo no ano de 1880 a fotografar o Chafariz e a Casa da Misericórdia. Por esta cidade passaram outros fotógrafos como Domingos Alvão, Emílio Biel, Foto Beleza (…)

QUESTÕES DE HISTÓRIA

Publicado a 14/04/2016, 08:06 por CCAM   [ atualizado a 14/04/2016, 08:06 ]


[Muito relevante, para mim, é a história. Onde e quando começou e a fazer o quê. Como cresceu, como encolheu, como diversificou, como se especializou. Uma empresa da qual ignoro a história é um objeto pouco identificado. 
Será mais importante conhecer o percurso de há umas décadas atrás, com grande probabilidade de os quadros atuais nem sequer terem vivido pessoalmente uma boa parte desse histórico, do que saber para onde quer ir? Eu acho que sim. Acho que o passado e o caminho trilhado, os percalços e os sucessos vividos marcam fortemente a identidade, para o bem e para o mal. Identificam e condicionam o presente, assim como a apetência e a repulsa pelos diferentes caminhos e desafios vindoiros]

E PODER RECOMEÇAR A CADA DIA

Publicado a 07/04/2016, 01:44 por CCAM   [ atualizado a 07/04/2016, 01:45 ]


[Temos de ser mais competitivos, arriscados, brilhantes. Ficamos apertados entre a miséria dum território com desemprego jovem acima do imaginado e a culpa por não levantarmos uma star-up de sucesso. Fico espantada como nos culpamos tanto pela desgraça, como se a precariedade em que vivemos não fosse mais do que a imposição merecida. E a lei da meritocracia: se fores espantoso, terás o teu justo lugar. A maioria estará no lugar possível e tantas cabeças pensadoras falam sobre a principalidade do sentido de vida – de estarmos em sintonia com o mundo à nossa volta. É muito claro que somos um povo de destemidos e subordinados. Temos os louvados senhores do triunfo e, depois, todos os que sobrevivem em ofícios incertos e abreviadamente remunerados, com bolsas ou a recibos verdes, sem poderem investir em mais formação, no mais simples cubículo que não a sempre casa dos pais aposentados ou no (deslembrado) bem-estar. E levamos as palmadas no ombro: mas estás tão bem, repara naqueles que não têm nada ou olha, emigra, como o teu vizinho, que bem que ele está]

A FATURA DO COLONIALISMO

Publicado a 25/03/2016, 07:32 por CCAM   [ atualizado a 25/03/2016, 07:32 ]


[Esta Europa dos impérios engordou industrial, comercial e economicamente, à custa da colonização dos povos, onde explorava mão-de-obra ao preço da uva mijona e de onde trazia, ao mesmo preço da mesma uva, quase toda a matéria prima que alimentava uma poderosa e diversificada indústria, cujos produtos colocava a preços exploratórios no mundo colonizado. Não admira que a Europa, apesar das guerras brutais e assassinas em que se envolveu, no séc. xx, se tenha tornado numa brilhante fortaleza de bem-estar e bem viver. Mas os impérios foram-se. Os povos colonizados tornaram-se potências emergentes e concorrenciais, com vantagem, sobre os antigos impérios colonizadores. A Europa colonizadora viu-se forçada a levantar barreiras burocráticas e portas alfandegárias muito exigentes para não ver a sua indústria, o seu comércio e toda a sua economia asfixiada por um oceano de produtos com tecnologia europeia plagiada ou copiada, e por isso, sem custos de investigação científica, e produzida com mão-de-obra explorada até quase à escravatura]

O QUE ENTENDEMOS POR PATRIMÓNIO?

Publicado a 17/03/2016, 03:18 por CCAM   [ atualizado a 17/03/2016, 03:18 ]


[A questão fundamental não é, então, o que se entende por património, mas a discussão das razões que governam a patrimonialização. Como se destaca um objeto ou um bem de outro? Quem tem autoridade, efetiva e simbólica, para legitimar esse destaque? Que leis governam a distinção entre o antigo e o velho? 
O ideal do estado moderno é assegurar para si o monopólio da memória. Passa pela redução da memória de tudo à memória escrita, conservada e autorizada. Do que se trata, então, é de escrever o texto do passado. 
Alimenta-se da ideia e da nostalgia de um mundo em desaparecimento, muito embora existam resistências a este monopólio] 

COM TODA A RAIVA A QUE TEMOS DIREITO

Publicado a 10/03/2016, 05:31 por CCAM   [ atualizado a 10/03/2016, 05:32 ]



[A história repete-se. 
Mas agora um pouco melhor, já não temos que atravessar a fronteira ‘a salto’. Somos cidadãos europeus e o mundo abre-se (pena que as portas aqui estejam fechadas). Desaportuguesamo-nos para conseguir uma vida melhor lá fora. Portugal foi sempre pequeno para a nossa alma Lusa.
Enquanto eu crescia, encheram-me de sonhos em que acreditavam. Disseram-me que se eu estudasse, se me esforçasse, se não desistisse, haveria de conseguir um bom emprego e ter qualidade de vida (aqui em Portugal, a sério?). 
Vocês ainda podem gozar a reforma, e nós? Nós estamos fartos de ser gozados. Médicos, enfermeiros, cientistas, professores, carpinteiros, artistas, designers, arquitetos, vendedores, operários, estamos todos tão fartos desta falta de respeito. 
Nós somos o motor da sociedade, foram vocês que nos criaram e nós queríamos muito mudar o país, queridos avós, queridos pais, mas vocês sabem bem os corruptos que nos governam] 

JOÃO LOBO ANTUNES NEO-HUMANISMO

Publicado a 03/03/2016, 02:34 por CCAM   [ atualizado a 03/03/2016, 02:34 ]


[Em síntese, a obra de JLA no campo do ensaio desenha-nos uma cartografia actual do estado da medicina e da prática médica, sublinhando a necessidade de se integrar as grandes questões existenciais da filosofia e os grandes valores clássicos na nova visão da Medicina do século XXI, libertando-a da tutela amordaçadora e asfixiadora da tecnologia. 
De certo modo, Ouvir com Outros Olhos. Ensaios, seu último livro, constitui a síntese e a cúpula do seu pensamento. Nada nele emerge de novidade teórica, mas tudo se torna mais transparente, até pela divisão capitular que o autor imprime ao livro: “Humanidades”, “Ética”, Profissão”, “Arte Médica” “Livros, “Amigos”, Universidade”, “Portugal” – uma verdadeira cartografia da sua vida e obra. A que talvez faltasse a “Família” para ser absolutamente completa]

DA IMPRENSA AOS EFEITOS DA INTERNET…

Publicado a 24/02/2016, 16:32 por CCAM   [ atualizado a 24/02/2016, 16:32 ]



Goodwin diz-nos que estamos hoje, perante duas faces da vida, duas colheitas maduras: “o potencial gerado e expandido da comunicação escrita via Internet e um planeta extremamente degradado que não nos suportará durante muito mais tempo, pelo caminho que as coisas levam”. (op. Cit.19)
Temos perfeita consciência do aquecimento global, da poluição química, de degradação dos sistemas essenciais de suporte da vida, da extinção das espécies e do excesso de população humana no planeta, como sinais palpáveis de crise.
E Goodwin concluiu com uma questão inquietante: “Poderemos usar uma das colheitas para nos salvarmos da outra? Poderemos usar o nosso conhecimento, estabelecendo contacto com os nossos semelhantes como nunca antes foi possível, para restaurar os laços de mútua dependência entre nós e os restantes membros da nossa sociedade planetária, de modo a que deixemos de ser exploradores e nos tornemos participantes responsáveis no drama criativo em que todos estamos envolvidos?”.

CACOGRAFIA

Publicado a 18/02/2016, 02:29 por CCAM   [ atualizado a 18/02/2016, 02:29 ]



[Não sou a favor nem contra o novo Acordo Ortográfico (AO de 1990). E vou dispensar-me do esforço de saber se o dito deve de ser escrito com iniciais maiúsculas ou minúsculas. Não sou especialista (nem linguista, nem gramático, nem filólogo, nem professor de literatura, nem escritor, nem poeta), mas tenho cá as minhas razões para continuar a escrever como o tenho vindo a fazer. Não tenho escrito, como tantos, que “Por decisão pessoal, não escrevo segundo o novo Acordo Ortográfico”. Ou, como também já li, Fulano “escreve de acordo com a ortografia antiga por razões de textualidade e estética”. Ou, mais radicalmente, “Quando escrevo … faço-o sempre, em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo novo Acordo Ortográfico”. Mas …
Mas toda a escrita actual é resultado de uma longa evolução. Filho, sobrinho e neto de Professores que, quando leccionaram, foram considerados Bons Pedagogos, notáveis para a sua época, guardo algumas Obras que lhes serviram de ferramentas de trabalho. Por exemplo: “Vocabulário Ortográfico e Remissivo da Língua Portuguesa” por A. R. Gonçalves Viana, “Relator da Comissão da Reforma Ortográfica”, “organizado em absoluta conformidade com as resoluções da Comissão (…) de 1911 (…)”. Esse Erudito não era nosso parente mas creio que foi a partir daí que meu bisavô Jeronymo Gonçalves Vianna passou a Jerónimo Gonçalves Viana, cujo apelido herdei por linha recta. Mas …]

1-10 of 16